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Os preparativos

Foto do escritor: mariana magalhães
mariana magalhães
18 de abr.
2 min de leitura
Na Trilha de Freud
Na Trilha de Freud

Preparação


Imagine que você se prepara, há muito tempo, para uma viagem. Ao longo dos anos, reúne recortes, escolhe roupas, encontra a mochila certa, guarda dinheiro até ter mais do que o necessário.

Nas mesas de bar, fala do destino como se já o conhecesse, enquanto os amigos escutam, descrentes, a mesma história de sempre.

Eis que, em um dia qualquer, você acorda, arruma a mochila e sobe no ônibus.

A passagem é só de ida.

É nesse movimento — como um desejo antigo que se realiza sem aviso — que tomo a trilha de Freud, um percurso ensaiado há muito tempo.


Rastros


Como toda viagem, há um prelúdio.

Ao embarcar, reencontro alguns rastros que, de diferentes modos, me levaram até Freud.

O primeiro, ainda distante no tempo, permanece vivo: na escola, entre conversas e descobertas, uma colega menciona Freud — um psicólogo com uma teoria estranha, algo sobre o complexo de Édipo. Soou absurdo. E, ainda assim, ficou.

Anos depois, já em meio à errância própria da juventude, encontro Freud novamente, agora em uma disciplina de introdução à psicologia. Ali, algo se desloca: pela primeira vez, tive a sensação de ler algo que realmente importava.

Mais adiante, em Buenos Aires, esse encontro se aprofunda. Outra leitura, outros caminhos, e o mesmo efeito: o desejo de saber mais.


A trilha

Desde então, esse percurso se inscreve como um desejo.

A viagem, aqui, não é outra coisa senão acompanhar o desenvolvimento de uma obra — talvez um mergulho, talvez uma escuta.

Ou ainda uma pergunta que retorna: como ele chegou até lá? O que, afinal, Freud queria saber?

Inicio esta trilha sob suas próprias palavras: “Não sou senão um conquistador por temperamento, um aventureiro…”

Talvez seja esse um bom ponto de partida para quem se dispõe a percorrer — de algum modo — o caminho de uma análise.




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