Os preparativos

Preparação
Imagine que você se prepara, há muito tempo, para uma viagem. Ao longo dos anos, reúne recortes, escolhe roupas, encontra a mochila certa, guarda dinheiro até ter mais do que o necessário.
Nas mesas de bar, fala do destino como se já o conhecesse, enquanto os amigos escutam, descrentes, a mesma história de sempre.
Eis que, em um dia qualquer, você acorda, arruma a mochila e sobe no ônibus.
A passagem é só de ida.
É nesse movimento — como um desejo antigo que se realiza sem aviso — que tomo a trilha de Freud, um percurso ensaiado há muito tempo.
Rastros
Como toda viagem, há um prelúdio.
Ao embarcar, reencontro alguns rastros que, de diferentes modos, me levaram até Freud.
O primeiro, ainda distante no tempo, permanece vivo: na escola, entre conversas e descobertas, uma colega menciona Freud — um psicólogo com uma teoria estranha, algo sobre o complexo de Édipo. Soou absurdo. E, ainda assim, ficou.
Anos depois, já em meio à errância própria da juventude, encontro Freud novamente, agora em uma disciplina de introdução à psicologia. Ali, algo se desloca: pela primeira vez, tive a sensação de ler algo que realmente importava.
Mais adiante, em Buenos Aires, esse encontro se aprofunda. Outra leitura, outros caminhos, e o mesmo efeito: o desejo de saber mais.
A trilha
Desde então, esse percurso se inscreve como um desejo.
A viagem, aqui, não é outra coisa senão acompanhar o desenvolvimento de uma obra — talvez um mergulho, talvez uma escuta.
Ou ainda uma pergunta que retorna: como ele chegou até lá? O que, afinal, Freud queria saber?
Inicio esta trilha sob suas próprias palavras: “Não sou senão um conquistador por temperamento, um aventureiro…”
Talvez seja esse um bom ponto de partida para quem se dispõe a percorrer — de algum modo — o caminho de uma análise.
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