SIGISMUND AVANT FREUD
Meu primeiro passo em minha caminhada foi examinar algum material biográfico relativo à vida de Freud, antes de chegar ao momento inaugural da invenção do inconsciente, já a partir da leitura de A Interpretação dos Sonhos. Foi, portanto, necessário retornar a livros há muito parados em minha estante, a fim de situar-me no espaço e no tempo de Freud. Descobri, assim, que antes de ser Freud, ele foi Sigmund e que, antes de ser Sigmund, foi Sigismund, tal como seu pai o registrou na Bíblia da família.

Foi o primogênito do segundo casamento de seu pai, o que o lançou numa curiosa confusão geracional: tinha irmãos que pareciam tios, um pai que parecia avô e um sobrinho que parecia irmão. Mantinha um amor profundo por um melhor amigo, até que este se tornasse inimigo. Foi intelectualmente superestimado desde a infância, teve Darwin como herói e desejou realizar uma expedição de exploração como a do Beagle.

Como muitos judeus de sua época, colocou-se à prova e procurou demonstrar seu valor por meio de pesquisas médicas que variaram amplamente de objeto, até chegarem à histeria. Alimentava o sonho de oferecer uma grande descoberta à humanidade. Era um amante obcecado até que se casou e teve muitos filhos. Grande parte de sua teoria da sexualidade foi elaborada sobre o pano de fundo da abstinência sexual. No rastro de sua descoberta, intuiu que seu principal achado não estaria em cruzar os mares, mas em desbravar aquilo que permanecia perdido em sua própria memória: um continente perdido, o inconsciente.

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